Raiz de Aldeia

Estávamos as 3 a sair de uma aula de dança quando um colega nos diz: "Se gostam de dançar, então têm mesmo que ir ao Raiz d'Aldeia - é um festival incrível".

Estávamos em fevereiro de 2023.

Montámos o cerco na expetativa de que nada nem ninguém iria ficar com os nossos bilhetes. 

Primeiro éramos 3, rapidamente passámos a 5. 

Chegámos a janeiro num bela noite de junho. Estava escuro e o baile já tinha começado. 

Será que alguma vez teria terminado?

 Decidimos montar uma tenda para guardar lugar. Duas porque afinal éramos muitas. Ainda decidimos montar uma terceira, mas estava calor, a música deliciosa e o palco chamava por nós. Deixámos lá um saco de tenda invertebrado com os pesos das estacas de ferro em cima, não fosse o vento querer ser brincalhão.

Esta foi a primeira noite de 3 num festival que nos envolve da cabeça aos pés.

Quando chegámos ao palco estava para lá de composto. Muitos pés coreografados no mesmo sentido. Juro que se estivermos com atenção conseguimos ouvir o arrastar ritmado nas pausas da música. 

  O Raíz d’Aldeia é um encontro de gerações ímpar.

Pode-se perceber a partilha de valores culturais e naturais facilmente. No palco, as idades vão dos 8 aos  80 e está tudo certo.  

Até o sol raiar há sempre música no ar e, havendo energia ninguém para.

 Todas as noites em círculo, a pares ou  a "solo" a expressão dominante é a dança.

No sábado à noite haveríamos de largar o palco para ir até à vila. Estava previsto um concerto de Sebastião Antunes precedido pelas Adufeiras do Paul. Foi um dos momentos altos.

Um momento intenso de ancestralidade pura. Dançar, viver e reviver as nossas tradições é um dos pilares estruturantes deste festival. É regressar à infância, à aldeia, ao passado, às nossas raízes. E foi nessa viagem que embarcámos com as adufeiras do Paul. Nelas ecoa a terra e as nossas raízes, das nossas avós.

 No último dia, de manhã,  ainda houve tempo para um mergulho fio no Zêzere  antes de nos fazermos à viagem de regresso.

Sentir o calor da terra e a frescura da água.

Despedimo-nos com uns pés muitos sujos mas muito, muito felizes.